quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Apocalypse


(história pra uma das minhas aulas - ignorem os erros)

When the alarm clock went off, she opened her eyes and stared at the ceiling. She was so tired that for a second she wished the world had come to an end during the night. She got up realizing that nothing had happened, took a deep breath and got herself ready to go to work. She had recently returned to teach, although she felt she was too old and too tired to deal with a bunch of 12 year old kids. She had to keep in mind that she would retire soon, otherwise she would find no strength to keep going.

It was a normal school day. Planing for classes, she decided that the first week would be about history itself, what is history and so on. She wrote on the blackboard “history never finds its place, it is always present” and further asked the students to write a short paragraph on that topic. Students were particularly agitated that afternoon. She felt she was too tired to attempt to control them or keep them quiet. She heard a loud noise. That meant the school day was over. The students returned their paragraph to her. She couldn't wait to get home, to escape the school madness – forgetting how her home was filled with madness as well.

What she didn't realize that day, feeling too tired as she was, is that there was a student sitting at the back corner of the class who shared with her the same feeling of exhaustion with life. He wrote his short paragraph. Not about history. He wrote about his life. He didn't know who to talk to. He just wrote it because he needed to tell his story. His sadness and and exhaustion got even worse when he realized that the teacher didn't note his desperation; that the teacher didn't read his paragraph. Day after day he sat at the back corner of the class, and nobody noticed him.

The room is quiet. At the dining table papers lie on top of each other – waiting for someone to read them. At the back you can hear the news, someone talking about the end of the world, and someone arguing about it. Among the stash of papers, there is one full of sorrow and grief. But nobody wants to read it.

That paper was left there. Maybe on purpose. Maybe because she didn't have the courage to deal with it. She continued to go to bed every night, wishing the world would come to an end when she was asleep.

He continued to sit at the back of the classroom, knowing that no one would ever listen to him. He went to class everyday, wishing that the world would come to an end when he was awake.  

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Fim

Ando aqui pensando com os meus botões sobre a vida, o universo, e tudo mais. E por mais que eu acredite que a resposta pra grande pergunta é 42, pequenas questões ainda precisam ser desvendadas. Ou talvez não.
Acabei de ver um vídeo chamado "Be suspicious of stories" que me fez pensar em uma série de coisas. Uma, essencial, é em como nossa vida é guiada pelas mais variadas histórias de outras vidas. Filmes, músicas, seriados, livros, diálogos. São todos fragmentos de outras vidas, que invadem as nossas buscando um diálogo. Ou nem sempre o diálogo, talvez invadam querendo se transformar nas nossas histórias de vida. Eu sempre gostei muito de livros/filmes de fantasias, e há um lugar especial em mim pra essas histórias. Gosto de achar que há um mundo outro em que essas histórias são reais. Ou que são reais mesmo nesse mundo, mesmo sendo parte de uma espécie de imaginário coletivo. Se todos pensamos e criamos essas histórias, de alguma maneira elas são reais. 
Mas há outros tipos de histórias, aquelas que nos massacram desde pequenos. Aquelas com finais felizes. Vivemos, então, em busca do final feliz, e sofremos porque nunca teremos esse final feliz. E demora até a gente perceber o tanto que é ridículo viver em busca de um final feliz, ou então de um momento na vida em que vamos sentar e dizer: agora estou feliz. A gente cresce e vê que não é assim que as coisas funcionam. Mas admitir que não teremos esse final feliz é difícil, é penoso. Mas, por outro lado, talvez a vida fique um pouco mais leve. A gente praticamente deixa de viver em busca desse final. Já que o final feliz não existe, o que a gente faz agora?
Gosto de pensar também que criamos essas narrativas, esses finais felizes porque entendemos nossa vida como finita. Para além de qualquer crença religiosa, talvez a noção de que não somos finitos seja de alguma maneira libertadora. Li em algum lugar por aí que nada é criado no nosso universo, que estamos em um eterno processo de transformação. Pois bem, não somos finitos. Partes do nosso corpo darão vida a outras coisas nesse planeta, ou no universo. Somos pequenas, porém significativas, partes de um todo que é dinâmico, eterno. E a gente não consegue entender essa eternidade, esse universo que é um eterno presente, porque criamos diversas estratégias pra controlar temporalmente nossas vidas. Relógios, meses, anos. A gente cria estratégias para "organizar" nossa vida no mundo, mas não passam de estratégias que oprimem nossa existência. Criamos um fim pra gente. E vivemos paranóicos com esse fim, paranóicos com a morte, ou desesperados em busca de um final feliz. Ou criamos linhas do tempo pra uma série de coisas, a educação sendo um exemplo. Você entra na escola aos 6, forma aos 17/18, entra na faculdade, forma (poucos vão pra mestrado e doutorado, mas deixe esses de lado) e aí, pronto, acabou educação. É hora de trabalhar. Daí cê trabalha feito um cachorro pra ter dinheiro e uma vida confortável, aposenta, e aí? Morre. 
Viveu pra quê? Pra nada. Porque sempre pensando no depois, aquele depois que é quando finalmente vamos descansar, aquele depois quando finalmente teremos uma vida sossegada com tudo que desejamos.

Pois bem.
Não existe esse depois. Não existe o fim. Não existe o final feliz. Estamos aqui pra sempre. Ficaremos aqui pra sempre.

Devíamos viver como nosso próprio universo. Num eterno presente que se transforma, nunca termina.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Talvez sou daquelas mulheres que a ninguém pertence.
Talvez eu seja só minha.
Talvez eu não preste.
Não presto.
Sou imprestável.
Um ser imprestável.
Mas quando penso nisso, sabe como fico?
Feliz.
Feliz por não prestar.
Sejamos imprestáveis.
Sejamos nós.

sábado, 22 de outubro de 2011

Menina

Ô menina. 
tão doce, tão só. Te ensinaram que devia ter esse sorriso. Te ensinaram a arrumar o cabelo. Te ensinaram a usar vestido, a passar um batom, a brincar de boneca. Te ensinaram que devia ser mulher. Nunca te perguntaram que tipo de mulher você queria ser. Te vejo agora assim, fraca. Pequenina. Com o cabelo arrumado e a maquiagem no rosto, preparando pra encontrar seu amado. Mas, ô menina. Que tristeza é essa que se vê no fundo de sua alma? Te vejo no espelho, olhando pra si mesma. Tentando retocar a maquiagem, esperando que vai retocar a tristeza. Tristeza não se retoca não, menina.
Te vejo agora removendo a maquiagem, o algodão passando no seu rosto e removendo cada parte da mentira em que se cobriu. As olheiras vão aparecendo, as marcas da idade se revelam. 
Te vejo triste porque seu amado não reparou sua tristeza. Te vejo triste porque sua tristeza tornou-se imperceptível. Ô, menina. Te vejo triste, desamparada, sentido a pontada de cada desafeto enquanto tira sua maquiagem.
Ô menina. Te vejo pintada, te vejo arrumada, mas ainda vejo aquela menina com sua boneca. Ainda vejo aquela menina tão pequena e sensível. Aquela menina que não precisava buscar o amor porque já tinha. Aquela menina, um pouco mais velha porém ainda menina, que busca o amor como se fosse algo encontrável. Que busca o amor que não existe no amado. Que passa a maquiagem, veste a roupa, põe o salto, veste o sorriso e vai pra rua. Buscando o que não se acha.
Ô menina. Fico te vendo aqui tão menina esperando que alguém um dia te diga: vá, seja mulher. Mas eu estou errada, menina. A gente vira mulher quando se entende por mulher. 
Ô menina, para de retocar essa tristeza. Tristeza faz parte da gente. Tristeza faz parte do que é ser mulher. Vai, menina. Vai ser triste.
Mas não retoca a tristeza não. 


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Home?

tenho tentado há milênios achar alguma coisa pra escrever aqui. Não sei se faz algum sentido escrever aqui como são os meus dias, o que eu faço. Eu não tenho tempo. Quer dizer, até tenho, mas ainda não sei como administrar. São centenas de páginas pra ler por semana, escrever respostas, ler de uma maneira que me deixe preparada pra falar alguma coisa em sala de aula. Então se eu não respondo direito, por favor me desculpem. A rotina aqui é pesada. Isso é bom, de alguma forma. Mas por enquanto ainda estou presa no sentimento de insegurança, e ainda estou tentando lutar comigo mesma pra me sentir capaz. Acho que isso vem aos poucos. Espero, pelo menos. 
E também tem alguma coisa com o ato de escrever que constantemente me impede de fazê-lo. Escrever é como escancarar sua alma pro mundo. Suas dores, seus amores, suas alegrias, suas banalidades. Escrever dói. E às vezes não escrevo por medo de ter de admitir as coisas que mais me incomodam, e que eu tento constantemente esconder dentro de mim. Não que no momento tenha algo me incomodando, mas digamos que eu ainda estou tentando me encontrar no meio disso tudo. Estou sendo obrigada a lidar com mil inseguranças de uma vez só, e de não fazer de mim o meu único e mais forte inimigo. No momento eu preciso ir jogando as coisas pra debaixo do tapete, ou então arrumar uma maneira de me fortalecer com elas. Porque eu preciso ser forte, e sinceramente estou cansada de ter que ser forte. Estou um pouco cansada de exigir isso de mim. Mas ao mesmo tempo, não sou do tipo que cede. Sou teimosa. Tento viver nesse meio-termo, esperando que algum dia eu consiga controlar tudo de uma maneira minimamente eficaz. Quando eu cheguei aqui estava pior. Agora as coisas estão melhores. Talvez seja o "banzo". Minha professora falou ontem que há uma diferença enorme em ir pra um lugar sabendo que vai voltar pra casa e ir pro lugar e saber que não vai voltar. Acho que é isso. Não é que eu ache que eu não vou nunca voltar, só não sei quando. Eu não sei onde vou construir minha vida. Não tenho mais uma casa. Tenho várias. E cada uma delas evoca algum tipo de lembrança, algum tipo de sentimento. Tenho tentando mudar as coisas. A casa não é mais o lugar, são as pessoas. Minhas casas estão todas separadas por aí. Mas tem alguma coisa que faz esse processo de raciocínio ser muito difícil. Vou me contentando com o mantra "home is where the heart is".
 Mas o que eu estou sentindo agora é difícil demais de explicar. Ando me redefinindo enquanto mulher, enquanto "latino-americana". Ando me sentindo deslocada (e isso eu não sei como explicar) por ser constantemente definida pela cor da minha pele. Não que isso nunca acontecesse, mas nunca foi tão óbvio. Alguma coisa dói em mim quando ouço (e isso vai soar ridículo) que não pareço brasileira. É como se minha identidade fosse se desfazendo aos poucos, como se ela estivesse sendo reconstruída, destruída, como se novas maneiras de me ver fossem tomando espaço.  Mas talvez, assim que as coisas devam ser. A gente vive sendo desconstruído pelos outros. Talvez sim, seja necessário que não tenhamos uma identidade única. Aliás, o que significa ter identidade? O que significa ser de um determinado país, de um determinado estado, cidade? Por que a gente é tão definido por essas coisas? Sei lá. 
Vou parar de escrever. Tá grande e nem sei mais do que eu tô falando.
Talvez não tenha sido uma boa ideia começar a escrever ouvindo Adele. Bem, melhor que Radiohead. 


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