Ando aqui pensando com os meus botões sobre a vida, o universo, e tudo mais. E por mais que eu acredite que a resposta pra grande pergunta é 42, pequenas questões ainda precisam ser desvendadas. Ou talvez não.
Acabei de ver um vídeo chamado "Be suspicious of stories" que me fez pensar em uma série de coisas. Uma, essencial, é em como nossa vida é guiada pelas mais variadas histórias de outras vidas. Filmes, músicas, seriados, livros, diálogos. São todos fragmentos de outras vidas, que invadem as nossas buscando um diálogo. Ou nem sempre o diálogo, talvez invadam querendo se transformar nas nossas histórias de vida. Eu sempre gostei muito de livros/filmes de fantasias, e há um lugar especial em mim pra essas histórias. Gosto de achar que há um mundo outro em que essas histórias são reais. Ou que são reais mesmo nesse mundo, mesmo sendo parte de uma espécie de imaginário coletivo. Se todos pensamos e criamos essas histórias, de alguma maneira elas são reais.
Mas há outros tipos de histórias, aquelas que nos massacram desde pequenos. Aquelas com finais felizes. Vivemos, então, em busca do final feliz, e sofremos porque nunca teremos esse final feliz. E demora até a gente perceber o tanto que é ridículo viver em busca de um final feliz, ou então de um momento na vida em que vamos sentar e dizer: agora estou feliz. A gente cresce e vê que não é assim que as coisas funcionam. Mas admitir que não teremos esse final feliz é difícil, é penoso. Mas, por outro lado, talvez a vida fique um pouco mais leve. A gente praticamente deixa de viver em busca desse final. Já que o final feliz não existe, o que a gente faz agora?
Gosto de pensar também que criamos essas narrativas, esses finais felizes porque entendemos nossa vida como finita. Para além de qualquer crença religiosa, talvez a noção de que não somos finitos seja de alguma maneira libertadora. Li em algum lugar por aí que nada é criado no nosso universo, que estamos em um eterno processo de transformação. Pois bem, não somos finitos. Partes do nosso corpo darão vida a outras coisas nesse planeta, ou no universo. Somos pequenas, porém significativas, partes de um todo que é dinâmico, eterno. E a gente não consegue entender essa eternidade, esse universo que é um eterno presente, porque criamos diversas estratégias pra controlar temporalmente nossas vidas. Relógios, meses, anos. A gente cria estratégias para "organizar" nossa vida no mundo, mas não passam de estratégias que oprimem nossa existência. Criamos um fim pra gente. E vivemos paranóicos com esse fim, paranóicos com a morte, ou desesperados em busca de um final feliz. Ou criamos linhas do tempo pra uma série de coisas, a educação sendo um exemplo. Você entra na escola aos 6, forma aos 17/18, entra na faculdade, forma (poucos vão pra mestrado e doutorado, mas deixe esses de lado) e aí, pronto, acabou educação. É hora de trabalhar. Daí cê trabalha feito um cachorro pra ter dinheiro e uma vida confortável, aposenta, e aí? Morre.
Viveu pra quê? Pra nada. Porque sempre pensando no depois, aquele depois que é quando finalmente vamos descansar, aquele depois quando finalmente teremos uma vida sossegada com tudo que desejamos.
Pois bem.
Não existe esse depois. Não existe o fim. Não existe o final feliz. Estamos aqui pra sempre. Ficaremos aqui pra sempre.
Devíamos viver como nosso próprio universo. Num eterno presente que se transforma, nunca termina.


1 falou e disse:
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